Ao longo destes últimos dois anos fiquei a pensar a respeito de um fato intrigante para os movimentos sociais e políticos no Brasil, o fato era o seguinte, qual é o legado da administração LULA e não do governo como muito falam, pois, o governo, formado pelas três esferas de poder é a instância jurídica,que administra o Estado que é o Brasil, isto é, nós, neste sentido, temos que avaliar a administração do homem ou mulher que ocupou a instância jurídica de uns dos poderes que é a presidência do executivo, responsável pela execução das ações da república, digo isto, em fim, vamos ao que de fato interessa que é a eleição da Sra. Dilma Rousseff, presidente ou presidenta eleita do Brasil. Ao consultar o Aurélio, verifiquei algo de estranho, o siguinificado de presidenta é:” mulher que preside e mulher de um presidente”, baseado nisso, fiquei numa dúvida maior do que a que já existia antes de começar a escrever, digo isso pois ao contrário de quase todos, não aceito a tese de que a senhora eleita seja a primeira mulher presidente, digo isto pelo fato dela jamais ter concorrido a um cargo eletivo e também pelo fato dela nunca ter despontado dentro dos partidos que participou como liderança que pudesse almejar tal cargo, e o que foi pior, a forma que ela foi escolhida por Lula para presidência, passando sobre o Partido dos Trabalhadores como se o mesmo não tivesse historicamente preceitos para escolher seus representantes a cargo eletivo, mesmo reconhecendo que a figura do presidente dentro partido desde o processo de democratização foi o seu principal nome, que não podemos esquecer, já não era visto assim, como forte para a eleição de 2002, aquela onde o PT jogou fora sua história apenas pela famigerada vontade de ser poder, aliando-se com as mais baixas forças políticas do país, o resultado desta aliança já sabemos.
Ao questionar o fato da Sra. Dilma não ser a primeira mulher presidente, o faço levando em consideração que ninguém votou nela pensando nela e sim numa continuidade de um governo Lula, isso mesmo, votaram nela como fosse o terceiro mandato dele, e ficou claro isso quando ele declarava que ao votar nela seria o mesmo que votar nele, claro dizia para os menos politizados, e esta prática do presidente em nada foi diferente daquilo que a direita sempre fez conosco, isto é, de nos achar incapazes para decidir com nossas próprias pernas nossos destinos, e é neste sentido que ficou preocupado, pois se ele foi capaz de proceder desta maneira, posso também julgar que ao escolher a Sra. Dilma, ele o fez pensando de forma maquiavélica,assim, como me tornei presidente pelos meus votos e não pela sigla partidária, escolher uma mulher será melhor que um homem, pois a mulher, pela sua falta de pragmatismo, assim pensam os machista historicamente, é mais fácil de ser manobrada. A eleição da Sra. Dilma não tem nada haver com as questões de gênero, como não teria também se fosse um negro, um homossexual ou portador de necessidades especial, pois em nenhum caso houve uma agenda política colocada em pauta, se um negro tivesse sido eleito na mesma conjuntura que ela, o movimento negro jamais poderia dizer que isto foi mérito do movimento ou daquele negro eleito, o mesmo digo, a presidenta foi apenas um quadro pintado e colocado na parede de uma sala onde apenas só existia o dela, se dependesse da sua qualidade política ela nunca seria eleita, quem viu os debates viram isso, apesar de seu adversário ser muito ruim, ela em momento algum conseguiu passar segurança e domínio dos fatos, mas, a dita democracia denota isso, foste eleita, tu és, espero que o futuro demonstre que estou errado e que ela venha ser uma grande administradora de um país tão desigual, contudo, se ela falhar, nada também será creditado na conta, será o presidente Lula que terá que pagar a conta histórica por sua escolha. Sim, sobre o legado de Lula, acho que há dois meses do fim de sua administração, para mim ele deixa dois legados: o primeiro diz respeito à humanização da liturgia do cargo, ele demonstrou enumeras vezes que ser presidente não seguinifica ser insensível as pessoas e a tudo ao ser redor, quando ele chorou, me deu vontade de chorar, quando fez piada, eu sorrir, quando ele andou com caixa de sorvete na cabeça, demonstrou ser um ser mortal algo que alguns presidentes não percebem, mas, quando escolheu a Dilma, não respeitando os anais do partido, ao pedir as pessoas que votassem nela como se tivesse votando nele, ele escreveu para mim o seu segundo legado, que é terrível, que diz as futuras gerações:” não precisam pensar em ética e moral, olhem os seus interesses a cima de tudo, pois se vocês um dia quiserem ser vereador, prefeito, deputado, governador e presidente, não será preciso ser de fato um líder, bastará fazer parte de um grupelho, ter um bom padrinho e com um toque de corrupção subliminar,você chegar lá, ainda que no fundo não seja seu sonho...”.
Rui Oliveira
Presidente do Centro de Apoio para o Desenvolvimento Educacional e Social e
do Grupo de União e Consciência Negra do Estado do Rio de Janeiro
Educador Social, Conselheiro Municipal de Belford Roxo de Meio Ambiente, Habitação e Cidade
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