sábado, 31 de janeiro de 2009

Um Grito de Liberdade

A liberdade é o principal preceito contido na Declaração Universal dos Direitos Humanos consagrada pela Carta das Nações Unidas - ONU em 10 de dezembro de 1948 que acabou de completar 60 anos. Entretanto, na prática esse direito é diariamente desrespeitado por pessoas simples e o que é pior pela chamadas autoridades, agentes do Estado, que deveriam ser os guardiões da lei e da ordem, promotores da igualdade e justiça entre os cidadões, contudo, o que assistimos em vários casos é a inoperância no cumprimento das leis que deveriam serem iguais para todos, independente da cor da sua pele, do seu status social e de sua posição ideológica.

Dentro do conceito ideológico de liberdade está a da fé, considerando que à laicidade é preceito constitucional, apesar de sabermos que os gestores desse Estado escolheram o cristianismo como religião oficial, não podemos nos alienar frente às perseguições que diversos segmentos religiosos têm sofridos nos últimos anos em todo Brasil, perseguições muitas das vezes produzidas pelo próprio Estado, direta e indiretamente, quando não apura ou cria instrumentos legais de proteção e promoção da igualdade.

Os ataques oriundos dos chamados segmentos evangélicos NEOPENTECOSTAIS a grupos religiosos, principalmente de origem africana tem levado diversas lideranças religiosas a se articularem em torno da defesa desta liberdade e do estrito cumprimento da lei, e neste sentido uma pessoa vem se destacando novamente na luta pelo respeito aos direitos humanos, essa pessoas é o professor e militante social IVANIR DOS SANTOS, Diretor Executivo do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas - CEAP.

Nascido na Favela do Esqueleto, local que cedeu lugar para Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, Ivanir dos Santos sempre surpreendeu as plateias por onde passou contando a história de sua vida, filho de uma prostituta, dona de um ventre honrado posso assim dizer, no sentido que guardou por nove meses um ser que paltaria sua existência pela luta dos direitos humanos, formou-se em pedagogia pela Faculdade Notre-Dame, anos após a morte de sua mãe. Criado na Funabem de onde saiu aos 18 anos, essa figura notória mundialmente mesmo quando teve sua vida cobiçada por grupos de extermínios, por defender pessoas que deles foram vítimas, como as Mães de Acarí e a Chacina da Candelária jamais buscou refúgio a não ser em sua fé, para manter viva a força de sua luta em prol daqueles marginalizados pela poder público e pela sociedade em si.

A Caminhada Pela Liberdade Religiosa que ele encabeçou em 21 de Setembro de 2008, quando 20 mil pessoas se manifestaram sobre chuva na Orla do Rio de Janeiro, reunindo diversos segmentos religiosos, dentre esses judeus e muçulmanos, deixou claro que, necessitamos buscar no diálogo a construção de um estado democrático de direitos hoje no Brasil, dizer que as leis e instrumentos que ai estão supre nossa demanda por justiça e igualdade não passa de ingenuidade política, necessitamos com urgência de espaços públicos que defenda e promova a igualdade perante a lei, se isso não vier com rapidez, poderemos assistir o inicio de um conflito anunciado. As supostas parcerias que esses grupos religiosos podem ter constituídos com segmentos marginais a lei em comunidades carente para expulsarem de lá as casas de culturas e religiosidades afro-descendentes, demonstram claramente o espírito fundamentalista destas pessoas, por isso, o Estado deve de forma séria ouvir o professor Ivanir dos Santos nesta questão, pois se existe uma pessoa hoje capaz de unir gregos e troianos numa mesma mesa para construir um diálogo interreligioso é ele, por isso, precisamos apoiar sua iniciativa; mesmo esse que vos escreve, agnóstico assumido, coordenou em seu nome em Belford Roxo à Caminhada pela Liberdade Religiosa, se ele conseguiu isso de mim, não tenho dúvida que fazer as coisas voltarem ao seu devido lugar não será assim tão difícil, que seu grito de liberdade seja ouvido, obrigado amigo e companheiro de luta Ivanir dos Santos, sua luta é nossa luta.

Um comentário:

  1. EDUCAÇÃO LAICA


    Bem o ensino no Estado do Rio de Janeiro Tende para uma Educação religiosa protestante, como educador e historiador vejo problemas futuros, em todo momento que a religião esteve a frente das decisões de uma Estado ouve o enfrentamentos armados.
    No caso do nosso Estado devemos isso ao Anthony garotinho que resolver colocar ensino religioso no currículo escolar, o problema foi quando os professores deram inicio a pregações protestantes e não aceitaram as outras vertentes religiosas como o caso da Afro-Brasileira, pelo meu ponto de vista o Estado deve se manter de fora dessas posições, cabe a ele investir em uma boa educação, ate porque as verbas estão ai!.
    Devemos estar atentos pois, a tendência a enfretamentos pode esta iniciando cabe a nós pessoas esclarecidas questionar as posições radicais e fazer exerce o poder da Constituição Brasileira.

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